
Um aparelho tão simples e aparentemente inofensivo como o Kindle, rodando Linux por dentro. Quem diria? Acho que, para boa parte das pessoas que trabalham com software, isso pode parecer um pouco óbvio, mas nem tanto.
Meu Kindle é da 11ª geração (2021) e possui um processador dual-core de aproximadamente 1 GHz, com arquitetura ARM de 32 bits (armhf), 512 MB de memória RAM e cerca de 6 GB de armazenamento disponível.
Olhando apenas para a quantidade de recursos disponíveis, não é difícil encontrar configurações semelhantes em planos básicos de VPS oferecidos por provedores de hospedagem. Isso chama a atenção quando pensamos que estamos falando de um aparelho desenvolvido principalmente para a leitura de livros.
Com o jailbreak, é possível contornar algumas restrições impostas pela Amazon e obter acesso privilegiado ao sistema Linux do Kindle, o famoso root. E, pelo menos na minha experiência, o processo foi bastante simples seguindo a documentação da comunidade.
Vale lembrar que, como em qualquer jailbreak, existem riscos envolvidos. Com alguns cuidados, é possível reduzi-los. No meu caso, procuro manter minhas modificações em diretórios separados dos arquivos essenciais do sistema, evitando alterações desnecessárias.
Para brincar um pouco, resolvi configurar o acesso SSH ao Kindle. Assim, consigo utilizar o terminal do meu computador para executar comandos diretamente no aparelho. Por curiosidade, podemos até utilizar comandos comuns do Linux, como ls, para listar arquivos e diretórios.

Com o SSH configurado, pela ciência acabei baixando um emulador que encontrei no GitHub, escrito em C. Com poucos passos, já estava testando como seria a experiência de jogar títulos mais simples, com movimentações menos rápidas. Um dos jogos que se encaixou perfeitamente nessa proposta foi Pokémon Yellow.

A experiência foi bastante interessante. Ver um aparelho desenvolvido para a leitura de livros sendo utilizado para algo tão diferente me fez pensar: será que o pessoal da Amazon imaginava que alguém faria isso?